[Resenha] Patagônia Babilônia ou Serei eu clone de João Peçanha?

20 Sep 2018

Ficha técnica

Título: Patagônia Babilônia

Autor: João Peçanha

Editora: PVB

Gênero: drama

Ano de lançamento: 2018

Edição atual: 1ª

Páginas: 208

 

Sinopse

O que aconteceria se um menor infrator, por determinação da Justiça, fosse condenado à pena alternativa de acompanhar idosos em um asilo público e acabasse conhecendo um velho cego e amargo? Um mora no Babilônia, comunidade do Rio de Janeiro, e é daqueles que tiveram um destino indesejável em um país desigual. O outro já teve quase tudo. Quase. Amou e abandonou na mesma proporção. Mas ficou um desejo não cumprido até então: conhecer a Patagônia. Os dois, perdidos e sozinhos numa dimensão que nem a memória dá conta. Que amizade dali nascerá? O que é a verdade para aqueles dois personagens?

 

Resenha

Sabe aquele livro onde você se enxerga? Foi assim com Patagônia Babilônia, de João Peçanha, escritor niteroiense, atualmente morador de Juiz de Fora, terras bem distantes da Patagônia que deslumbrou Darwin ou do morro carioca da Babilônia, onde me fiz mirante da cidade maravilhosa que já chamei de casa.

 

A obra arrebatou-me no primeiro capítulo, em que dois mundos se encontram: o de um velho cego, ex-rico, hospedado em asilo público e o de um jovem negro morador de favela, em cumprimento de medida socioeducativa. Foi com certeza um dos melhores primeiros capítulos que li na vida. Nenhuma surpresa para quem, do mesmo modo, lista contos de João Peçanha como os melhores que já leu.

 

Peçanha escreve tão bem que dá uma vontade de, ao menos, ser seu clone. Acho que fui me descobrindo isso ao longo da leitura. Assim como em Patagônia Babilônia, um conto meu relata o encontro de um velho cego com alguém que para, ganhar a vida, lê livros em voz alta àquele que somente lê com os ouvidos.

 

Outro ponto em comum entre a obra de João Peçanha e algo que já criei é o contato com o livro como mote para o desenrolar da história. Em Patagônia Babilônia, além de ler para um cego, o jovem Joelsson gosta de livros, frequenta biblioteca e participa de um grupo de leitura. Ao longo da história, ainda é possível se deparar com acontecimentos e narrativas, que se cruzam e nem sempre deixam claro o que é relato fiel ou livre criação da cabeça do personagem. E tudo isso é preponderante para que a história tome novos rumos, o que também acontece no meu livro de contos Livrinho da Silva, todo dedicado à temática do mundo dos livros e da escrita.

 

Há ainda em Patagônia Babilônia histórias que se cruzam e nos mostram vidas marcadas pela falta de memória, dentro ou fora do asilo. De modo semelhante, ainda inédito, um conto de minha autoria narra a história de um amor que tenta ser mais forte que uma doença capaz de apagar lembranças. Nesse caso, seria um elogio ser acusado falsamente de plagiar Peçanha.

 

Por dias, Patagônia Babilônia foi um espelho em que me vi. Talvez isso seja mais comum do que imaginemos. Talvez os grandes livros sejam aqueles que parecem escritos tão somente para você. Sobre você. Como se fosse seu. E, no fim das contas, é. Bem, o que mais dizer? É uma honra ter tanto em comum com escritor que admiro.

 

Biografia do autor

Escritor, professor e doutor em Literatura Comparada. Membro da Liga de Escritores, Ilustradores e Autores de Juiz de Fora – LEIA JF. Dirige a Escola de Narradores e é idealizador do coletivo de escritores Artes da Escrita.

 

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