Entrevista #17 - Clóvis M. Fajardo

23 Aug 2018

Apresente-se, fale um pouco de você, seu nome, idade, profissão e gênero que escreve.


Meu nome é Clóvis M. Fajardo, tenho 31 anos, sou de São Paulo e moro em Praia Grande desde 2009, quando me casei. Sou professor de Língua Portuguesa desde 2014 e escrevo vários gêneros, mas atualmente me dedico ao meu projeto de distopia.

 

Quando surgiu o interesse pela escrita?

 

Sempre gostei de contar histórias, mas em formato de HQ, que eu mesmo desenhava. Só que, quando li O Senhor dos Anéis, logo que lançaram o filme, decidi que era o que queria fazer, e abandonei os desenhos para me dedicar somente à escrita. Já são 16 anos.


Quais foram suas maiores referências para a escrita?

 

Depende do gênero, mas basicamente quatro autores formam a minha base. Na literatura fantástica Tolkien, na ficção Dan Brown, na literatura nacional André Vianco, e no terror Stephen King. Acho que alguma forma mesclo um pouco desses quatros em meus textos.


Fale sobre o gênero que escreve.

 

A distopia entrou na minha vida num acaso, pois participei em 2014 de uma seletiva da Editora Andross, de contos sobre o futuro sem água. Apaixonei-me pela temática e, desde então, é o que tenho me dedicado com mais afinco, mas tenho muito interesse pelo terror, com uma pitada de Lovecraft. Uma coisa que gosto muito é de criar novos mundos, onde tenho a liberdade de criar e recriar as coisas, e a distopia, como a fantasia e o terror, me dão essa liberdade.

 

Conte sobre sua carreira de escritor.

 

A carreira de escritor é uma das coisas que considero mais difícil no Brasil. Já publiquei, e tenho publicado contos desde 2012, e finalmente este ano estou publicando meu primeiro romance, sendo meu segundo livro. Vejo minha carreira de escritor crescendo gradualmente, conforme meus textos vão madurecendo também. Amadureci muito depois que publiquei meu livro “Êxodo – A Saga do Ouro Azul” (2015), e o contato com outros autores estreantes foi me mostrando o quão difícil é essa carreira, mesmo assim, acredito que num futuro não muito distante eu possa viver da escrita.

 

Você tem apoio para escrever? 

 

As pessoas da minha família e amigos estão começando a levar a sério essa carreira. Quando se publica um primeiro livro, muita gente não entende o que está por trás daquilo. Alguns acham que é por orgulho, outros que você já vai ficar rico. Na verdade, há muitos gastos, um grande investimento do autor que não é notado, e que, às vezes, pode influenciar até mesmo no seu orçamento.


Nos conte um pouco sobre suas obras: quantas você já publicou? Há alguma em andamento?

 

Estou publicando dia 08 de agosto (que por sinal é aniversário do meu casamento) meu segundo livro (“Guerra Azul”), sendo este o primeiro romance, já que o anterior (“Êxodo – A Saga do Ouro Azul”) é uma pequena coletânea de oito contos entrelaçados. Além desses, já publiquei dois contos de terror em antologias, dois contos de distopia também em antologias, participei de três antologias poéticas e ganhei duas vezes o concurso Literário de Praia Grande.

 

Conte sobre como é o mercado para um autor atualmente? 

 

Uma coisa que sempre gostei de ser é realista. Há muita gente que escreve e já se acha o próximo best-seller, e o mercado não é tão fácil assim como essa gente otimista acha. É preciso ter paciência para ser conhecido e reconhecido. Outra coisa que eu descobri, que é pura verdade, não basta ter seu livro numa estante de livraria, hoje é mais fácil vender pela internet quando as pessoas procuram quem você é, do que simplesmente esperar alguém pegar seu livro numa pilha de livros e comprá-lo. Vejo muita gente reclamando que as editoras não investem nos autores, que não colocam o livro nas livrarias.  Mas só isso não é suficiente. O que o autor faz pra ser conhecido? Como ele interage com o público? O mundo mudou. As redes sociais mudaram a forma de se relacionar, e, como em uma palestra que ministrei em 2015 (também artigo de opinião no blog Artes da Escrita), o escritor hoje tem que ser digital, estar integrado às mídias digitais e sociais. Vende mais quem se vende melhor.

Fale sobre sua obra atual:

  • Como foi que surgiu a ideia de escrevê-la?

Depois de publicar “Êxodo – A Saga do Ouro Azul” em 2015, eu percebi que as pessoas haviam gostado do meu livro, da ideia, mas faltava espaço para colocar tanta coisa em contos, que, por sinal, não é um dos formatos mais apreciados pelos leitores, infelizmente. Então eu resolvi criar um romance que abordasse o mesmo cenário do de Êxodo, onde eu pudesse explorar maisafundo várias questões levantadas anteriormente. Aproveitando o auge da crise hídrica no Brasil eu comecei a escrever Guerra Azul. 

 

  • O processo de criação foi difícil? 

Muito difícil, pois eu tinha várias tramas se interligando e muitos assuntos que queria abordar de forma séria, como violência sexual, machismo e feminismo, depressão entre jovens, as consequências do mau uso da água, a exploração das empresas e do governo sobre a água, religião e a falta de religião. Então, como organizar tudo isso?  Com a obra praticamente pronta, eu a submeti a uma leitura crítica da Margareth Brusarosco, que é especialista em narratologia e trabalha com André Vianco na Vivendo de Inventar, e ela me apontou muitas coisas que eu precisava corrigir para encantar os leitores. E essa foi a parte mais gostosa e difícil da escrita.

 

  • Quanto tempo levou para concluí-la?

Eu comecei e 2015 e a terminei no final de 2017, foram praticamente três anos de muita ansiedade. Minha maior preocupação era o tema sair do radar das pessoas, mas com tantos outros assuntos dentro do livro, acho que vai demorar para “sair de moda”.

 

  • Quais as inspirações e referencias para criar sua obra?

Quando comecei a escrever eu tinha a ideia de criar uma obra que misturasse Mad Max com O Livro de Eli, se passando no Brasil. Era essa a sensação que eu queria transmitir para os leitores, pois eu não tinha lido nada assim, principalmente nacional. Recentemente uma blogueira fez uma resenha do meu livro, e um dos aspectos que ela mencionou foi exatamente esse: “Tendo uma mistura de Mad Max com O Livro de Eli (dois filmes que eu adoro!),o enredo traz uma atmosfera que deixa o leitor angustiado, com sede, incomodado. Sendo emoções que mesclam perfeitamente com a história, fazendo com que a distopia se torne ainda mais real e presente”.

 

Resenha sobre a obra acesse

 

Vamos ao pingpong:

 

Livro: “O Senhor dos Anéis”

Autor(a): Dan Brown

Inspiração: A Bíblia

Incentivador(a): minha mãe e meu pai, que já faleceu.

Sonho: viajar o mundo divulgando meu livro.

Memória: o dia em que meu filho nasceu.

Defeito: ansioso.

Qualidade: persistente.

Não gosta: de gente chata que só reclama.

Amor: Deus é Amor. Todo modelo de amor parte dele.

Indicação: para quem quer escrever procure “Como escrever um romance de sucesso”, me ajudou muito e me ajuda muito até hoje na escrita.

Frase: Não importa o que aconteça, sempre lute pelo que acredita.


Muito obrigada pela sua participação, desejo muito sucesso e muita sorte nessa profissão, que faz tanto bem e agrega tanto conhecimento através das histórias. Para encerrar, poderia deixar uma dica para os Jovens Talentos, os escritores que ainda estão começando suas trajetórias como futuros autores nacionais?

 

Estudem, dediquem-se e jamais parem de escrever. Apesar de muita gente achar que carreira de escritor surge de um dia para o outro, eu a vejo como mais difícil que a carreira de jogador de futebol. O Neymar não começou jogando no Barcelona. Não espere ser contratado logo de cara por uma editora grande como Sextante, Leya e outras. Comece pelas categorias de base. Tenho estudado muito técnicas de escrita e narrativa, e sinto-me muito distante dos best-sellers. O Caminho se faz caminhando, e como diria Drummond, há muitas pedras no caminho.

 

Conhecendo mais do autor Clóvis M. Fajardo

Biografia

 

Clóvis M. Fajardo tem 31 anos, é formado em Letras (2008), atua em Praia Grande como professor de Língua Portuguesa na rede pública. É autor do livro de contos Êxodo – A Saga do Ouro Azul (Editora Autografia, 2015). Foi premiado na categoria poemas no 1° Concurso Literário de Praia Grande (2015), e na categoria contos no 2º Concurso Literário de Praia Grande (2016).

Publicou contos nas antologias Sombria (org. André Vianco) (Editora Empíreo, 2017), Outrora – Contos distópicos (Editora Andross, 2015), Sede: Contos distópicos sobre um futuro sem água (Editora Andross, 2015)  Névoa – contos sobrenaturais de suspense e de terror (Editora Andross, 2013).

Participou como palestrante no 1º Espaço Educação, Arte e Leitura de Praia Grande (2015), onde ministrou a palestra “Prática de Escrita – O Escritor Digital”.  Atualmente faz parte da Vivendo de Inventar, uma agencia de escritores organizada pelo escritor e roteirista André Vianco que dá frequentemente treinamento para aperfeiçoamento da prática de escrita.

 

 

 

Bibliografia

 

Êxodo A saga do ouro Azul

 

O ano é 2065. Tudo termina aqui! A água... A humanidade... A crise da água chegou ao extremo limite, e com ela o desemprego, a fome, o medo e a revolta. A falta de um recurso tão essencial nivelou ricos e pobres em uma única categoria: sobreviventes. No Brasil um apagão geral deu início ao êxodo urbano desencadeando uma guerra urbana: a Guerra Azul. A água, o Ouro Azul, tem seu devido respeito nessa obra singular marcada pela fé, não somente em Deus, mas no futuro e nas próprias pessoas.

 

Guerra Azul

 

O ano é 2065. A guerra pela água chegou ao extremo, atingindo as últimas fontes de água do Brasil, deixando o país em ruínas. Ester cresceu na Serra da Cantareira, uma imensidão desértica longe de qualquer resquício de civilização, mas nada a incomoda mais do quê ver as mulheres de sua tribo sofrendo. Sem pensar duas vezes, ela embarca em uma perigosa jornada em direção às Ruínas de São Paulo, enfrentando uma estrutura patriarcal na esperança de mudar o destino, cada vez mais decadente, do Povo da Areia. Em meio ao caos urbano, Ester precisa vencer os traumas que ainda a abalam para lutar contra os Filhos da Seca, uma tribo rival, muito bem organizada, comandada por um misterioso ditador mascarado que controla boa parte da cidade de São Paulo, e assim salvar as pessoas que ama de um confronto que mudará o destino de todos. Com ritmo arrasador, ação constante e um drama familiar inesquecível, Guerra Azul é uma aventura grandiosa ambientada em futuro distópico onde a água é tão rara quanto os seres humanos.

 

Clóvis M. Fajardo Lançamento da Obra Guerra Azul na Bienal 2018 SP

 

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Êxodo - A saga do ouro azul

 

Guerra Azul

 

 

 

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Entrevista realizada por Isa Miranda
Revisão Fabiana Prieto

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