Viagem ao Centro da Terra e a cosmologia indígena Macuxi

14 Aug 2018

Viagem ao Centro da Terra, publicado em 1884, por Júlio Verne, é um marco da literatura de ficção científica. Nele, o Prof. Lindenbrok e seu sobrinho Axel chegam ao centro do planeta pela cratera de um vulcão.

 

A teoria da Terra Oca, defendida séculos atrás por estudiosos, mas hoje refutada pela Ciência, está presente como mito em diferentes culturas. Ainda que não use a expressão ‘terra oca’, o povo indígena brasileiro Macuxi pode ser listado entre aqueles que cultivam a crença de que há, abaixo do chão que pisamos, um universo com vida, semelhante à superfície terrestre.

 

Segundo Paulo Santilli, um dos principais pesquisadores sobre esse povo, para os Macuxi, o universo é composto basicamente por três planos, todos na linha do horizonte, sendo a superfície terrestre o plano intermediário entre os planos subterrâneo e superior.

 

No plano subterrâneo, viveriam seres semelhantes aos humanos, mas de baixa estatura, que também cultivam roça, caçam, pescam e constroem aldeias. Todavia, os Macuxi acreditam não manter qualquer relação com os habitantes dos demais planos do universo, tampouco creem que estes interferem em seus destinos.

 

Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne, não retrata nada disso. Mas tem oceano, ilha e nuvens subterrâneos, além de dinossauros, outros animais pré-históricos e homens das cavernas. Provavelmente, o autor não teve contato com histórias Macuxi, restritas à tradição oral. Nem por isso deixa de ser um excelente livro. Não à toa entrou para a história da literatura mundial e ganhou versões nas telas dos cinemas.

Viagem ao Centro da Terra, o Filme (2008)

 

Uma versão preliminar deste texto foi publicada no blog Arteleituras. Para ler clique aqui.

 

VERNE, Júlio. Viagem ao centro da terra. São Paulo: Martin Claret, 2004.

 

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