Entrevista #2 - Aldenor Pimentel

25 Jul 2018

Apresente-se, fale um pouco de você, seu nome, idade, profissão e gênero que escreve.

 

Meu nome é Aldenor Pimentel, tenho 33 anos e sou jornalista, doutorando em Comunicação e escritor, a cada dia tentando ser um pouco mais escritor. Passeio entre diferentes gêneros. Meu primeiro romance, ainda no prelo, é um drama, com pitadas de aventura, romance e comédia.

 

Quando surgiu o interesse pela escrita?

 

Escrevo poemas desde os nove anos, pelo menos. Por volta dos 12, venci meu primeiro concurso literário, na escola. Mas só fui investir mesmo na carreira de escritor na época do Mestrado, a partir de 2012, quando voltei a escrever mais sistematicamente, cujos textos comecei a ganhar, nos anos seguintes, os primeiros prêmios literários da fase adulta.

Quais foram suas maiores referencias para a escrita?

 

Gosto de uma diversidade de autores, mas não sei dizer até onde eles estão presentes na minha escrita. Agrada-me a ironia e a aparente escrita displicente de George Orwell e Jonathas Swift, o humor de Miguel de Cervantes, Jorge Amado, Ariano Suassuna e Luis Fernando Veríssimo, a construção do conflito de Franz Kafka, o ritmo de Artur Conan Doyle e Júlio Verne, a prosa poética de Saint-Exupéry, a construção de personagens e diálogos de Lewis Caroll. Já me disseram que minha escrita lembra Lima Barreto. Gosto da comparação.

 

Fale sobre o gênero que escreve.

 

Minhas obras são atravessadas por diferentes gêneros. Os principais são drama e comédia, mas podem ser encontrados também outros como romance, horror e policial. Minha prosa transita entre o realismo e o realismo mágico. Minha produção é composta de poemas, contos, crônicas e romance. Sem preconceito, o que escrevo é transgênero.

Conte sobre sua carreira de escritor(a).

 

Entrei na cena literária por meio dos concursos: hoje já são mais de 30 prêmios em concursos literários nacionais e internacionais, incluindo o primeiro lugar no 5º Prêmio Literário Sérgio Farina, categoria Prata da Casa, da Prefeitura de São Leopoldo (RS). Tenho textos publicados em mais de dez revistas literárias. Em 2017, meu poema ‘Sem Razão’ fez parte da exposição Poesia Agora, na Caixa Cultural Rio de Janeiro. Em 2018, tive o romance Eldorado de Brisa selecionado para publicação em edital do Governo de Roraima. Também neste ano, meu projeto de circulação ‘Literatura a Caminho’ foi selecionado pelo programa Rumos Itaú Cultural. Um feito histórico: até então, somente um projeto de Roraima havia sido selecionado pelo Rumos.

 

Você tem apoio para escrever?

 

Sempre tive apoio. Desde criança recebia elogios dos meus pais e dos professores. Hoje, minha esposa é a minha primeira leitora. Também mostro aos amigos e tenho bom retorno.

 

Nos conte um pouco sobre suas obras: quantas você já publicou? Há alguma em andamento?

 

Além de participações em antologias, em sua maioria resultado de seleções em concursos literários, tenho duas publicações individuais: Deus para Presidência (2015) e Livrinho da Silva (2017). Deus para Presidência é uma das cinco histórias de até mil palavras, em Língua Portuguesa, selecionadas em uma chamada pública internacional e lançadas originalmente em Portugal. Livrinho da Silva é meu primeiro livro de contos, publicação independente lançada em todas as regiões do Brasil. Em 2018, meu romance Eldorado de Brisa foi selecionado para publicação em edital do Governo de Roraima. A expectativa é de que seja publicado ainda neste ano.

Conte sobre como é o mercado para um autor atualmente?

 

O mercado editorial vive os reflexos da tal crise que o País enfrenta. Não é um cenário animador. As editoras estão receosas em apostar em novos talentos. Mesmo para autores consolidados não está fácil. O que eu e outros escritores independentes temos feito é buscar caminhos alternativos. Publico meus textos em revistas e por meio de concursos literários nacionais e internacionais. Também tenho um blog onde publico minha produção literária. E finalmente decidi publicar meu primeiro livro por conta própria. Meu momento atual é de estreitar laços com o público.

 

Fale sobre sua obra atual:

 

Em ‘Livrinho da Silva’, todas as histórias se desenvolvem em torno do universo da leitura e da escrita. Mais que isso, em muitos momentos falo da capacidade do ser humano, principalmente daquele a quem foram dadas menos oportunidades, de se superar e se reinventar, de escrever sua história de vida com as próprias mãos. Para isso vou do drama ao humor, do realismo ao realismo mágico.

 

  • Como foi que surgiu a ideia de escrevê-la?

Na verdade, foi o livro que se inscreveu na minha vida. Inicialmente ele não estava nos planos. Um dia eu me dei conta de que tinha alguns contos premiados com temática semelhante. Pensei que, se os jurados de concursos literários aprovaram, um público maior poderia gostar também. Resolvi investir na ideia.

 

  • O processo de criação foi difícil?

Não, porque não havia a pressão para produzir um livro. Eu escrevia aquilo que me fazia bem. Anotava algumas ideias e, depois, as desenvolvia, quando elas resolviam fluir.

 

  • Quanto tempo levou para conclui-la?

Ao todo, foram cinco anos de produção não sistemática, sem o objetivo claro de publicar todos os textos em um mesmo livro.

 

  • Quais as inspirações e referencias para criar sua obra?

Livrinho da Silva segue uma tradição da literatura metalinguística: é um livro que fala de livro, o que já foi feito brilhantemente de Dom Quixote até A Menina que Roubava Livros. Referências não faltam de como o livro pode transformar a nossa história.

Vamos ao ping pong:

 

Livro: O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry

Autor(a): George Orwell, por criar metáforas tão impressionantes do nosso mundo

Inspiração: Cristino Wapichana, escritor roraimense como eu, que entrou para a história ao ser laureado com o Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira

Incentivador(a): minha professora de Português da 6ª a 8ª série do ensino fundamental, Eliane Araújo

Sonho: Perceber, um dia, que o que escrevo fez o mundo se ver com outros olhos

Memória: Lembro que, quando minha professora anunciou informalmente que eu havia sido finalista de um concurso de poemas sobre meio ambiente na escola, a turma toda aplaudiu. Era a primeira vez na vida que a literatura que me rendia aplausos.

Defeito: Querer fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como se tivesse o poder de parar as horas. Nisso inúmeras histórias já ficaram pela metade...

Qualidade: A habilidade de buscar o sorriso, mesmo quando a vida parece querer arrancá-lo da nossa boca. Meus textos também carregam essa rebeldia do humor diante da dor

Não gosta: de quem julga um livro pela capa e desmerece um trabalho literário sem conhecê-lo

Amor: pela vida, que brota dentro e fora dos livros

Indicação: Sem Grandes Delongas, de Edgar Borges, um venezuelano que só foi alfabetizado em Língua Portuguesa, aos 14 anos, quando migrou para o Brasil, e, ainda assim, é autor de uma das melhores obras escritas originalmente em Português que já li.

Frase: É preciso aprender a ler o mundo para escrever a própria história.

 

Muito obrigada pela sua participação, desejo muito sucesso e muita sorte nessa profissão que faz tanto bem e agrega tanto conhecimento através das histórias. Para encerrar poderia deixar uma dica para os Jovens Talentos, os escritores que ainda estão começando suas trajetórias como futuros autores nacionais?

 

Leia de tudo, dos clássicos aos contemporâneos. Prestigie o trabalho dos seus pares, para que eles valorizem o seu também. Invista na sua formação como escritor, faça cursos de técnicas literárias. Conheça o mercado editorial, participe de coletivos literários, interaja com outros escritores, crie uma rede de cooperação. Escreva o que gosta, e não exatamente o que está na moda. Ouça seus leitores. Tenha com eles uma boa relação. Leia o cenário atual e busque trilhar o seu próprio caminho.

 Conhecendo mais do autor Aldenor Pimentel

Biografia:

 

Aldenor Pimentel é natural de Boa Vista (RR). Jornalista e escritor, teve o projeto de circulação literária ‘Literatura a Caminho’ aprovado no Rumos Itaú Cultural 2017-2018. Seu romance Eldorado de Brisa selecionado em 2018 para publicação em edital do Governo de Roraima. Foi o primeiro colocado no 5º Prêmio Literário Sérgio Farina, categoria Prata da Casa, da Prefeitura de São Leopoldo (RS), segundo colocado no 1º Concurso Literário Internacional ‘Escritores Malditos’, da Editora Illuminare, e terceiro no I Concurso Literário ICBIE 2015, do Instituto Cultural Brasil Itália Europa, além de ter recebido outros 30 prêmios em concursos literários nacionais e internacionais. Em 2017, seu poema ‘Sem Razão’ fez parte da exposição Poesia Agora, na Caixa Cultural Rio de Janeiro. É autor das obras Deus para Presidência (2015), uma das cinco em língua portuguesa selecionadas em uma chamada pública internacional e lançadas originalmente em Portugal, e Livrinho da Silva (2017), lançado em todas as regiões do Brasil. Mantém os blogs O Estado da Arte de Aldenor Pimentel (artedealdenorpimentel.blospot.com.br) e ArteLeituras (www.arteleiturasblospot.com.br). É um dos escritores brasileiros autores do blog Artes da Escrita (www.artesdaescrita.com.br). Desde 2016, organiza o Concurso Literário Internacional Palavradeiros. Recentemente, sua produção literária foi objeto de pesquisa acadêmica apresentada na Semana de Letras da Universidade Estadual de Roraima.

 

Bibliografia
 

 

Título: Deus para Presidência

Editora/Selo: Imaginauta Edições

Gênero: Conto

Ano de publicação: 2015

Número de páginas: 6

Sinopse: Em um momento de extrema instabilidade política no Brasil, Deus é conduzido presidente da República. Será a salvação do País? Só Deus sabe. Ou não!

 

 

 

 

 

 

Título: Livrinho da Silva

Editora/Selo: Catarse

Gênero: Conto

Ano de publicação: 2017

Número de páginas: 72

Sinopse: Livrinho da Silva traz mais de 20 contos que se desenvolvem em torno do universo da leitura, do livro, da figura do escritor, da experiência da escrita, etc. São histórias de vidas transformadas a partir do contato com o livro e da experiência da leitura ou que lancem novos olhares sobre a presença do ler e do escrever na nossa vida.

 

 

 

 

Links para compra dos livros físicos:

Livrinho da Silva


Links das plataformas digitais que publica:

Blog A Arte de Aldenor Pimentel

Blog Artes da Escrita

 

Redes sociais:

www.instagram.com/aldenor_pimentel

www.facebook.com/artedealdenorpimentel

https://twitter.com/aldenorpimentel


Contato do autor: aldenor_pimentel@yahoo.com.br

Entrevista realizada por Isa Miranda
Revisão por Fabiana Prieto

 

 

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