Thanos – Por que o vilão roubou a cena em Os Vingadores – Guerra Infinita? (SEM SPOILERS)

Um dos lançamentos mais aguardados do cinema e que já está batendo todos os recordes, traz um dos melhores filmes do universo de heróis, e refaz uma façanha que só o filme Batman – O Cavaleiro das Trevas conseguiu quando o Coringa (Heath Ledger) roubou a cena. O mesmo podemos dizer sobre o vilão Thanos (Josh Brolin) em Guerra Infinita que, apesar de disputar espaço com mais de 20 heróis, se destaca e é o ponto alto da história.

 

 

Guerra Infinita retrata a empreitada definitiva de Thanos em busca das Joias do Infinito. Além de tentar descobrir onde se encontra a Joia da Alma, ele envia seu time em busca das restantes, sendo que duas estão na Terra. Os Vingadores e outros heróis então se dividem entre a Terra e o Espaço para tentar impedir que Thanos junte as Joias do Infinito.

 

Com todos os heróis devidamente apresentados em seus filmes solos ou nos anteriores dos Vingadores, o roteiro não precisou ficar preso no arco de nenhum herói, e pôde gastar mais tempo para nos apresentar o Arco do Personagem Thanos. 

 

 O Arco do Personagem é um termo muito conhecido no cinema e nas artes literárias em que o personagem passa por um processo de transformação ao longo da narrativa e, muitas vezes, é o que nos faz criar tanto carisma por um personagem, por causa da possibilidade da mudança, da redenção, da esperança. E é exatamente o que ocorre com Thanos, um antagonista com profundidade e até mesmo humanizado. Sua empreitada de destruição em massa, por mais absurda que possa parecer, não consegue minar completamente a empatia que sentimos pelo personagem e nem parece tão absurda assim no final das contas, isso porque foram enxertadas várias camadas ao antagonista de maneira que não é impossível se relacionar com sua jornada e, principalmente, com sua dor.

 

 

Em Vingadores: Guerra Infinita Thanos é um pouco diferente em suas motivações em relação à sua contraparte das HQs, mas a missão é a mesma da série Desafio Infinito: dar cabo de 50% da população de todo o universo fazendo o que for preciso para alcançar seus objetivos.

 

Ele é quem detém mais tempo de tela proporcionalmente falando, indo de um ponto a outro da galáxia reunindo as joias e sempre um passo à frente dos heróis. Essa exposição do vilão dita o ritmo, já que está todo mundo correndo contra o tempo para impedi-lo de reunir tamanho poder.  O filme se preocupa em mostrar um pouco de sua história pregressa, especialmente com relação às filhas Gamora e Nebula. Primeiro, o passado de Gamora (Zoë Saldana) foi finalmente revelado; como ela foi adotada por Thanos e sua relação com o titã é destrinchada, o que permitiu à personagem crescer e ser muito mais do que “a mulher mais perigosa da galáxia”. No fundo ela é mais uma vítima, mas possui os meios para virar a situação a favor dos heróis e frustrar os planos de Thanos.

 

 Esse gigante roxo começa a história sem apresentar nenhum sentimento, matando friamente todo aquele que se colocar diante do seu caminho. É nesse ponto que vemos a Jornada do Herói (ou nesse caso vilão) acontecer, pois aos poucos, seu passado vai sendo revelado e assistimos o carinho que ele tem pela Gamorra, que apesar da crueldade com o povo dela, tratou a menina Gamorra com uma filha. A sensação que temos é que tudo o que Thanos faz com o universo é pensando em Gamorra. O carisma do personagem está exatamente por ele não sabe expressar seu sentimento pela filha, e ao invés de receber amor, ele recebe ódio.

 

 

O ponto ápice da trama é quando ele precisa fazer a escolha definitiva entre o amor pela sua filha e o seu objetivo de reunir todas as joias. É nesse momento que o vemos expressar pela primeira vez seu amor por qualquer criatura.  A partir daí, Thanos larga para trás todo sentimento para focar em sua missão, consequência clara de suas escolhas.  A caracterização do personagem foge dos clichês que a própria Marvel tinha cometido nos primeiros vilões (principalmente Mandarim e Ultron, que não foram bem explorados.) Em Thanos há justificativa e há alma em todas as palavras ditas pelo gigante roxo que com personalidade e sem a loucura desvairada de vilões típicos, nos cativa.

 

 

Por fim, um último ponto a destacar sobre a construção do personagem Thanos é exatamente o grau de aproximação do antagonista com os outros personagens, em especial Gamorra. A história poderia ser apenas a de um titã louco querendo destruir metade do universo, mas é claramente a história de um pai solitário querendo construir um  “universo” melhor para sua filha reinar, é por isso que ele não é só mais um vilão genérico que será esquecido daqui a alguns dias. E por esta razão, não há como dizer de outra forma que este filme é do Thanos e tão somente.

 

 

 

 

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